quarta-feira, 10 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O Rato

de amarelo sorriso entredentes
mata-rato encardindo o vão dos dedos
a sutil sentinela do alheio
rasteja entre restos de seus roubos
rodente rato roedor de gente
rapace animal que rói e que rapina
de voz melíflua que a todos amofina
só é amigo de seu próprio umbigo

o rato rói toda uma livraria
de papel e de palavra se empanzina
mas pouco aproveita o acepipe
pois só o que sua goela regurgita
é pura papa, fedegosa polpa

acossado por um vira-latas
se refugia às costas de um amigo
mas tão logo a ameaça acaba
já rouba aquele que lhe deu abrigo
nenhum remorso à consciência acossa
e rói rumores ruminando raivas
se foge à luta o literário rato
em restos, latas, lixo se aviva
e arrota seu prato putrefato
arrolando iguarias presuntivas
roubadas de supostas mesas
inatingíveis a sua vileza.

o rato rasteja arrastando amarguras
sem par sequer para amargar um mate
se faz amigos, ele os trai tão cedo
que mais ninguém vem à sua procura
não há quem se arrisque ao resgate
da vida medíocre que se pauta pelo medo.

Porto Alegre, 18/10/2012


domingo, 9 de setembro de 2012

Um convidado Ilustre: V. Maiakovski




Brincadeira gráfica que fiz sobre foto de Igor Amelkovich
com poema de Maiakovski e foto antiga do poeta.

A tradução do russo é dos irmãos campos e Bóris Schneiderman.

(a foto encontrei aqui: http://photo.net/photodb/photo?photo_id=6230723)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O Poema da Camiseta



Ontem, durante a edição 13 de Meus Poemas Sou Eu Escrito, discutíamos a relação entre forma e conteúdo, quando meu convidado, Ricardo Mainieri, citou o poema impresso na camiseta que eu vestia. Creio que ainda não o tinha publicado, então ele vai da maneira como entrou na discussão ontem... na camiseta.



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

UNANIMIDADESUMANIDADE





"Posso não concordar com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo." (Voltaire)

me criei em um tempo
em que todo mundo
pensava igual
porque era proibido
pensar diferente.

se dizia
"Brasil, ame-o ou deixe-o"
e os que amavam
precisavam fugir.

me criei num Brazil
de unanimidades
e aprendi
que a unanimidade é burra,
que a unanimidade é bruta,
que a unanimidade é uma arma
da mediocridade
pra se fazer importante.

lutei sem armas,
fui clandestino, porque
a unanimidade era a lei
e o silêncio cresceu.

vi  a unanimidade apodrecer.
vi os medíocres caírem
porque não tinham mais
capacidade de calar  
a discórdia.

não sou exatamente cordato,
discordo com veemência,
mas não tiro de ninguém
o direito de pensar.

discordância
é vida;
unanimidade,
morte!

discordo da unanimidade.
discordo do concordismo.
discordo dos discursos bonitinhos.
discordo da concórdia
que cala os adversários.

faço minha
a fala da discórdia!
que todos acordem
e que a concórdia forçada
tenha a força de uma corda
onde os tiranos
se enforquem.

(ilustração: recriação gráfica que fiz sobre foto de Vladimir Herzog)

sábado, 11 de agosto de 2012

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

VERSO SUB VERSO







poetas não respondem
à necessidade capitalista
de produção

poetas respondem
à necessidade humanista
de emoção

poetas são
subversivos
transformam língua em lâmina
e ferem de morte o sentido

poetas são
corruptores
pegam pequenas palavras
e as obrigam a dizer muito

poetas
são loucos

por sorte
são poucos


Porto Alegre, 23/05/2012