segunda-feira, 19 de março de 2012

Mulheres no Papel


A exposição abriu dia 08/03, no saguão do Centro Municipal de Cultura, e era pra ter se encerrado no último dia 14, mas ganhou uma sobrevida, podendo ainda ser visitada até a manhã da próxima quarta-feira, dia 21/03, sem direito a prorrogação.

Nascida como uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher, Mulheres no Papel expressa a visão de vários artistas sobre as personagens femininas da Literatura Brasileira através de uma técnica que Daisy Viola já vem trabalhando a anos: o papier-colée sobre manequins tradicionais de costura.

(Na foto, acima, Clotilde Maso  criando sua versão para a Moça Fantasma de Belo Horizonte, do famoso poema de Carlos Drummond de Andrade, abaixo, Daisy Viola coordena a montagem da exposição em 07/03/2012)

Durante o evento Tardes Livres de Arte no Atelier da Prefeitura, tive a honra de ser convidado a produzir uma peça para tomar parte nessa exposição. Eu, que nunca tinha trabalhado com volume, resolvi aceitar o desafio e prodizi uma versão de Ci, a Mãe do Mato, personagem secundária, mas importantíssima e fascinante  do Macunaíma de Mario de Andrade, maga ou semideusa indígena que o presenteia com a Muiraquitã, amuleto mágico que será o móvel de todo o romance.


Além do papel e da resina acrílica usadas no processo de papelagem, a personagem que ilustrei recebeu tiras de algodão cru tingidas com açafrão-da-terra que receberam ainda "tatuagens" de xilogravura impressas em papel chinês Wenshou, que falam dessa semideusa da mata na área do ventre, as "tatuagens" tem a forma de um cinturão em formato de muiraquitã enquanto na altura da coluna vertebral, sobe-lhe uma cobra-coral. Finalmente uma cabeça bi/tridimensional produzida em madeira compensada pintada com tinta acrílica e cabelos de linha de tricô.


 Participaram da exposição Betina Borne, Clotilde Maso, Daisy Viola, Eliane Vargas, Laura Sadocco, Rejane Michel, Renato de Mattos Motta e Santa Pedebos.
Vale a pena conferir enquanto ainda dá tempo.












segunda-feira, 12 de março de 2012

Barreto Poeta em publicação da Universidade do Porto

Barreto, um dos bons poetas aqui de Porto Alegre nos manda o convite para o lançamento da obra "Cem Anos, Cem Palavras", em que um conto seu foi um dos cem escolhidos para participar. 


O desafio não era fácil: Além do microconto obrigatoriamente falar sobre a Universidade, deveria ser totalmente resolvido em exatas cem palavras!

Parabéns, amigo Barreto!






quinta-feira, 1 de março de 2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

curso de xilogravura

Vênus e o Vento




Vem Vênus do vento
lufa-lufando saias curtas
venta em mim
me enche as ventas
com teu odor sedutor.
Vem Vênus do vento,
não vai ventar na areia
venta, Vênus, na minha praia
eleva aos céus meu coqueiro!
Venta, Vênus na minha vida,
te aceito volátil, vaporosa.
Quem pode querer prender o vento?
Se Vênus venta, o faz no mundo
nunca ao ar condicionada
livre, leve, levada Vênus
ventre que aviva minha vida
estes são versos de Vênus
versos de um amor avesso
amor devasso e travesso
amor  ar  intangível
de certo modo angustiante
de um pobre poeta perdido
por um amor do vento colhido
um amor que sopra por onde
o vento de Vênus o leva
que quando o queremos mais perto
já venta em terra distante
amor de vento maduro
com ares
de juventude.


Porto Alegre, 23/01/2009

ROCK - mais um poema com o tema


Hoje, 24/04/2012 tem Grito Rock em Petrópolis - RJ. Este poema e Rita Lina e o Rock estarão participando, em varal poético ... Amanhã, também em Petrópolis este poema sai no Jornal Cascatinha, na Coluna Poetizando da Catarina Maul

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Rita Lina e o Rock

A coisa surgiu como um desafio que me fez a Catarina Maul, da Confraria da Poesia Informal... fazer um poema sobre rock. O que saiu, foi uma brincadeira que acho que dá pra mostrar:





Clicando, a figura aumenta e dá pra ler, mas ainda assim, vai o  texto pros que não tem olhos pra ler as letrinhas no poster...






Rita Lina é uma menina normal
decidiu que a noite vai ser sem igual
porque a noite é do Rock
porque é noite de ser lóqui

Rita Lina toma o seu banho de lua
veste o seu biquíni de bolinha
bota a saia e  a blusa amarelinha
ta quase pronta pra encarar a rua

no seu sapato de lacinhos cor-de-rosa
ela está pronta para a noite, toda prosa
e vai chamar de estúpido o cupido
que inventar que ela tem que ter marido

ela só quer um beijinho splish-splash
é garotinha mas não teme lobo mau
se um garotão tomar seu coração num flash
também não deixa que ele pense que é o tal

Rita Lina é uma menina normal
decidiu que a noite vai ser sem igual
porque a noite é do Rock
porque é noite de ser lóqui

Porto Alegre
22/02/2012

Povoado afogado

(foto: Scott Rhea, retirada da internet)




povoado afogado
tolas calhas
que  ocultam moluscos
(quando o ar é água
telhados quebrados
não tem goteiras)

vila subaquática
onde emoções passadas
e sonhos molhados
permanecem entre os peixes
que nadam por ruas

lugarejo onde te quis
agora imerso em lago
silêncio de poço
torneiras inúteis
chuveiros inúteis

talvez algum dia
de conto de fada
alguma sereia
resolva habitar
a cidade das águas


talvez a sereia
 encontre um dia
teu quarto de nácar
cortinas de rosa
dossel de algas

quem sabe a gaveta
do criado-mudo
ainda tenha o poema
em caneta verde
na folha de almaço

quem sabe o poema
lavado na água
levado pra longe
agora dissolvido
no rumo do olvido

à vista da sereia
as palavras desfeitas
o papel esfacela
e a menina das águas
não sabe ler

Renato de Mattos Motta
Porto Alegre, 04 de fevereiro de 2012.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Fachada



A foto  e  a diagramação são da Ana Beise.
O prédio fica na Santana quase esquina Jerônimo de Ornelas.
o texto eu escrevi
depois da foto linda

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

o verbo, a rua e a lua




Deus, o Omnipotente
criou o mundo através do Verbo
eu, menos competente,
crio, através do mundo, o verbo
m u n d a r
e, por este verbo
eu mundo
tu mundas
ela munda
e nós
mundanos vagamundos
vagaluzimos pela noite
bebendo até ver o fundo
até uivar pra lua
reflexo no cálice
repetido na sarjeta
nas poças barrentas.
lua branca
lua cheia
com jeito de mundo
interior.
plenilúnio
onde Jorge da Capadócia
mata seu dragão.
Yê Ogum!
yeah, yeah, yeah
she loves you
(and you know that can't be bad)
música múndica
som de rádio de pilha
rasgando a noite metálico
mal sintonizado
no lago de fígado
lua branca em céu poluído
mundo insolúvel
de Raimundo
mundo dividido
desideologizado
globalmente esgotado
internacionalizado mundo
faminto empobrecido
sujo mundo de gente porca
em algum lugar
na noite do mundo, um bar
lâmpadas fluorescentes
copos com espumas
que traçam texturas de lua
Ogum na espuma do copo
cerveja de Ogum
churrasco de costela
assado em tonel na calçada
um gole pro santo na noite no mundo
lua no céu
cavalo dragão cavaleiro de lança
no princípio era o Verbo,
e o Verbo foi mundo
Yê, yeah!