quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um Convidado Ilustre: Johnn Donne


John Donne foi um poeta, diácono e pastor anglicano nascido em 1572 e morto em 1631, considerado o maior entre os poetas metafísicos ingleses. Se alguém achar estranho um poema como esse sair de um pastor,  gostaria de lembrar que a Igreja Anglicana foi fundada por Henrique VIII - aquele que teve 6 esposas...


Este poema foi traduzido por Augusto de Campos e consta do livro O Anticrítico. Partes dele foram musicadas por Caetano Velloso.



Elegia: Indo para o Leito

Vem, Dama, vem que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens. Tu, meu anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.

Deixa que minha mão errante adentre.
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.

Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atlanta:
O olho do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente

A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.

Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.







Ilustram este post
Retrato de Johnn Donne retrabalhado digitalmente por mim
Venus Biding her Hair - John William Godward



domingo, 1 de abril de 2012

AO MÊS QUE ABRIU





na manhã de céu azul
choveu canivete suíço
dona Carmen de seu Raul
tomavam chá de sumiço

pelo céu bem coloridas
voavam vaquinhas leiteiras
animando nossas vidas
enquanto mugiam besteiras

choveu tanto que o rio Nilo
até alagou o Saara
nunca se viu aquilo
camelo com água na cara

e mesmo a Esfinge ruiu
pois era primeiro de Abril.


Renato de Mattos Motta
Porto Alegre, 30/03/2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mulheres no Papel


A exposição abriu dia 08/03, no saguão do Centro Municipal de Cultura, e era pra ter se encerrado no último dia 14, mas ganhou uma sobrevida, podendo ainda ser visitada até a manhã da próxima quarta-feira, dia 21/03, sem direito a prorrogação.

Nascida como uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher, Mulheres no Papel expressa a visão de vários artistas sobre as personagens femininas da Literatura Brasileira através de uma técnica que Daisy Viola já vem trabalhando a anos: o papier-colée sobre manequins tradicionais de costura.

(Na foto, acima, Clotilde Maso  criando sua versão para a Moça Fantasma de Belo Horizonte, do famoso poema de Carlos Drummond de Andrade, abaixo, Daisy Viola coordena a montagem da exposição em 07/03/2012)

Durante o evento Tardes Livres de Arte no Atelier da Prefeitura, tive a honra de ser convidado a produzir uma peça para tomar parte nessa exposição. Eu, que nunca tinha trabalhado com volume, resolvi aceitar o desafio e prodizi uma versão de Ci, a Mãe do Mato, personagem secundária, mas importantíssima e fascinante  do Macunaíma de Mario de Andrade, maga ou semideusa indígena que o presenteia com a Muiraquitã, amuleto mágico que será o móvel de todo o romance.


Além do papel e da resina acrílica usadas no processo de papelagem, a personagem que ilustrei recebeu tiras de algodão cru tingidas com açafrão-da-terra que receberam ainda "tatuagens" de xilogravura impressas em papel chinês Wenshou, que falam dessa semideusa da mata na área do ventre, as "tatuagens" tem a forma de um cinturão em formato de muiraquitã enquanto na altura da coluna vertebral, sobe-lhe uma cobra-coral. Finalmente uma cabeça bi/tridimensional produzida em madeira compensada pintada com tinta acrílica e cabelos de linha de tricô.


 Participaram da exposição Betina Borne, Clotilde Maso, Daisy Viola, Eliane Vargas, Laura Sadocco, Rejane Michel, Renato de Mattos Motta e Santa Pedebos.
Vale a pena conferir enquanto ainda dá tempo.












segunda-feira, 12 de março de 2012

Barreto Poeta em publicação da Universidade do Porto

Barreto, um dos bons poetas aqui de Porto Alegre nos manda o convite para o lançamento da obra "Cem Anos, Cem Palavras", em que um conto seu foi um dos cem escolhidos para participar. 


O desafio não era fácil: Além do microconto obrigatoriamente falar sobre a Universidade, deveria ser totalmente resolvido em exatas cem palavras!

Parabéns, amigo Barreto!






quinta-feira, 1 de março de 2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

curso de xilogravura

Vênus e o Vento




Vem Vênus do vento
lufa-lufando saias curtas
venta em mim
me enche as ventas
com teu odor sedutor.
Vem Vênus do vento,
não vai ventar na areia
venta, Vênus, na minha praia
eleva aos céus meu coqueiro!
Venta, Vênus na minha vida,
te aceito volátil, vaporosa.
Quem pode querer prender o vento?
Se Vênus venta, o faz no mundo
nunca ao ar condicionada
livre, leve, levada Vênus
ventre que aviva minha vida
estes são versos de Vênus
versos de um amor avesso
amor devasso e travesso
amor  ar  intangível
de certo modo angustiante
de um pobre poeta perdido
por um amor do vento colhido
um amor que sopra por onde
o vento de Vênus o leva
que quando o queremos mais perto
já venta em terra distante
amor de vento maduro
com ares
de juventude.


Porto Alegre, 23/01/2009

ROCK - mais um poema com o tema


Hoje, 24/04/2012 tem Grito Rock em Petrópolis - RJ. Este poema e Rita Lina e o Rock estarão participando, em varal poético ... Amanhã, também em Petrópolis este poema sai no Jornal Cascatinha, na Coluna Poetizando da Catarina Maul