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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CISMA SÍSMICA






quando cisma
meu amor é um sismo
me abala as estruturas
capaz de mover montanhas
meu amor é Natureza
me arrastando com sua força
a revolver minha vida
pra dar o melhor de mim


Porto Alegre, 30 de maio de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Rainha dos Jardins Suspensos da Alexandria




"Alô, minha rosácea 

minha flor de lótus, 
minha rainha dos jardins suspensos 
de Alexandria, (...)"

DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos, "Os Nomes da Amada"  in Poesia Errante. Rio de Janeiro: Record/Altaya, 1988.





Não tão famosos
quanto os da Babilônia
nem tão belos talvez,
mas minha amada prefiro
rainha em Alexandria.

A torre de lá, menos alta,
em vez da babel de línguas,
tem uma luz que orienta
gentes de todos os povos
que para lá se dirigem.

Porque esse teu jardim,
é espaço feito pra mim
(também pra ti e pra tantos):
o maior farol de Alexandria,
também seu maior jardim,
se chama Biblioteca.



(Além do poema, a foto também é minha)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Quarta tem sarau em Petrópolis


Nesta quarta-feira, dia 09/05 chegarei a Petrópolis-RJ a convite do Madrigal Maestro Guerra Peixe e da Confraria da Poesia Informal para uma intensa programação que vai até dia 14/05. Já no primeiro dia tem sarau com lançamento do fanzine da Confraria. Finalmente vou conhecer pessoalmente os confrades deste grupo maravilhoso liderado pela poeta petropolitana Catarina Maul, de que venho participando praticamente desde a data de fundação.






Pra quem estiver interessado: Muito em breve tem Confraria da Poesia Informal SUL!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um Convidado Ilustre: Johnn Donne


John Donne foi um poeta, diácono e pastor anglicano nascido em 1572 e morto em 1631, considerado o maior entre os poetas metafísicos ingleses. Se alguém achar estranho um poema como esse sair de um pastor,  gostaria de lembrar que a Igreja Anglicana foi fundada por Henrique VIII - aquele que teve 6 esposas...


Este poema foi traduzido por Augusto de Campos e consta do livro O Anticrítico. Partes dele foram musicadas por Caetano Velloso.



Elegia: Indo para o Leito

Vem, Dama, vem que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens. Tu, meu anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.

Deixa que minha mão errante adentre.
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.

Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atlanta:
O olho do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente

A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.

Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.







Ilustram este post
Retrato de Johnn Donne retrabalhado digitalmente por mim
Venus Biding her Hair - John William Godward



domingo, 1 de abril de 2012

AO MÊS QUE ABRIU





na manhã de céu azul
choveu canivete suíço
dona Carmen de seu Raul
tomavam chá de sumiço

pelo céu bem coloridas
voavam vaquinhas leiteiras
animando nossas vidas
enquanto mugiam besteiras

choveu tanto que o rio Nilo
até alagou o Saara
nunca se viu aquilo
camelo com água na cara

e mesmo a Esfinge ruiu
pois era primeiro de Abril.


Renato de Mattos Motta
Porto Alegre, 30/03/2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mulheres no Papel


A exposição abriu dia 08/03, no saguão do Centro Municipal de Cultura, e era pra ter se encerrado no último dia 14, mas ganhou uma sobrevida, podendo ainda ser visitada até a manhã da próxima quarta-feira, dia 21/03, sem direito a prorrogação.

Nascida como uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher, Mulheres no Papel expressa a visão de vários artistas sobre as personagens femininas da Literatura Brasileira através de uma técnica que Daisy Viola já vem trabalhando a anos: o papier-colée sobre manequins tradicionais de costura.

(Na foto, acima, Clotilde Maso  criando sua versão para a Moça Fantasma de Belo Horizonte, do famoso poema de Carlos Drummond de Andrade, abaixo, Daisy Viola coordena a montagem da exposição em 07/03/2012)

Durante o evento Tardes Livres de Arte no Atelier da Prefeitura, tive a honra de ser convidado a produzir uma peça para tomar parte nessa exposição. Eu, que nunca tinha trabalhado com volume, resolvi aceitar o desafio e prodizi uma versão de Ci, a Mãe do Mato, personagem secundária, mas importantíssima e fascinante  do Macunaíma de Mario de Andrade, maga ou semideusa indígena que o presenteia com a Muiraquitã, amuleto mágico que será o móvel de todo o romance.


Além do papel e da resina acrílica usadas no processo de papelagem, a personagem que ilustrei recebeu tiras de algodão cru tingidas com açafrão-da-terra que receberam ainda "tatuagens" de xilogravura impressas em papel chinês Wenshou, que falam dessa semideusa da mata na área do ventre, as "tatuagens" tem a forma de um cinturão em formato de muiraquitã enquanto na altura da coluna vertebral, sobe-lhe uma cobra-coral. Finalmente uma cabeça bi/tridimensional produzida em madeira compensada pintada com tinta acrílica e cabelos de linha de tricô.


 Participaram da exposição Betina Borne, Clotilde Maso, Daisy Viola, Eliane Vargas, Laura Sadocco, Rejane Michel, Renato de Mattos Motta e Santa Pedebos.
Vale a pena conferir enquanto ainda dá tempo.












segunda-feira, 12 de março de 2012

Barreto Poeta em publicação da Universidade do Porto

Barreto, um dos bons poetas aqui de Porto Alegre nos manda o convite para o lançamento da obra "Cem Anos, Cem Palavras", em que um conto seu foi um dos cem escolhidos para participar. 


O desafio não era fácil: Além do microconto obrigatoriamente falar sobre a Universidade, deveria ser totalmente resolvido em exatas cem palavras!

Parabéns, amigo Barreto!






quinta-feira, 1 de março de 2012