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Quem sou eu

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Nasci, cresci, com 7 anos aprendi a escrever, com 13 escrevi o primeiro poema (os contos vieram antes), com 14 fiz minha primeira xilogravura, depois passei no vestibular, trabalhei, estudei, namorei bastante, publiquei algumas coisas, amei de verdade algumas vezes, quebrei a cara mais do que queria...

com 52 anos continuo vivo, continuo sonhando, continuo com essa mania doida de acreditar nos sonhos e transformá-los em realidade...

quinta-feira, 1 de março de 2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

curso de xilogravura

Vênus e o Vento




Vem Vênus do vento
lufa-lufando saias curtas
venta em mim
me enche as ventas
com teu odor sedutor.
Vem Vênus do vento,
não vai ventar na areia
venta, Vênus, na minha praia
eleva aos céus meu coqueiro!
Venta, Vênus na minha vida,
te aceito volátil, vaporosa.
Quem pode querer prender o vento?
Se Vênus venta, o faz no mundo
nunca ao ar condicionada
livre, leve, levada Vênus
ventre que aviva minha vida
estes são versos de Vênus
versos de um amor avesso
amor devasso e travesso
amor  ar  intangível
de certo modo angustiante
de um pobre poeta perdido
por um amor do vento colhido
um amor que sopra por onde
o vento de Vênus o leva
que quando o queremos mais perto
já venta em terra distante
amor de vento maduro
com ares
de juventude.


Porto Alegre, 23/01/2009

ROCK - mais um poema com o tema


Hoje, 24/04/2012 tem Grito Rock em Petrópolis - RJ. Este poema e Rita Lina e o Rock estarão participando, em varal poético ... Amanhã, também em Petrópolis este poema sai no Jornal Cascatinha, na Coluna Poetizando da Catarina Maul

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Rita Lina e o Rock

A coisa surgiu como um desafio que me fez a Catarina Maul, da Confraria da Poesia Informal... fazer um poema sobre rock. O que saiu, foi uma brincadeira que acho que dá pra mostrar:





Clicando, a figura aumenta e dá pra ler, mas ainda assim, vai o  texto pros que não tem olhos pra ler as letrinhas no poster...






Rita Lina é uma menina normal
decidiu que a noite vai ser sem igual
porque a noite é do Rock
porque é noite de ser lóqui

Rita Lina toma o seu banho de lua
veste o seu biquíni de bolinha
bota a saia e  a blusa amarelinha
ta quase pronta pra encarar a rua

no seu sapato de lacinhos cor-de-rosa
ela está pronta para a noite, toda prosa
e vai chamar de estúpido o cupido
que inventar que ela tem que ter marido

ela só quer um beijinho splish-splash
é garotinha mas não teme lobo mau
se um garotão tomar seu coração num flash
também não deixa que ele pense que é o tal

Rita Lina é uma menina normal
decidiu que a noite vai ser sem igual
porque a noite é do Rock
porque é noite de ser lóqui

Porto Alegre
22/02/2012

Povoado afogado

(foto: Scott Rhea, retirada da internet)




povoado afogado
tolas calhas
que  ocultam moluscos
(quando o ar é água
telhados quebrados
não tem goteiras)

vila subaquática
onde emoções passadas
e sonhos molhados
permanecem entre os peixes
que nadam por ruas

lugarejo onde te quis
agora imerso em lago
silêncio de poço
torneiras inúteis
chuveiros inúteis

talvez algum dia
de conto de fada
alguma sereia
resolva habitar
a cidade das águas


talvez a sereia
 encontre um dia
teu quarto de nácar
cortinas de rosa
dossel de algas

quem sabe a gaveta
do criado-mudo
ainda tenha o poema
em caneta verde
na folha de almaço

quem sabe o poema
lavado na água
levado pra longe
agora dissolvido
no rumo do olvido

à vista da sereia
as palavras desfeitas
o papel esfacela
e a menina das águas
não sabe ler

Renato de Mattos Motta
Porto Alegre, 04 de fevereiro de 2012.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Fachada



A foto  e  a diagramação são da Ana Beise.
O prédio fica na Santana quase esquina Jerônimo de Ornelas.
o texto eu escrevi
depois da foto linda

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

o verbo, a rua e a lua




Deus, o Omnipotente
criou o mundo através do Verbo
eu, menos competente,
crio, através do mundo, o verbo
m u n d a r
e, por este verbo
eu mundo
tu mundas
ela munda
e nós
mundanos vagamundos
vagaluzimos pela noite
bebendo até ver o fundo
até uivar pra lua
reflexo no cálice
repetido na sarjeta
nas poças barrentas.
lua branca
lua cheia
com jeito de mundo
interior.
plenilúnio
onde Jorge da Capadócia
mata seu dragão.
Yê Ogum!
yeah, yeah, yeah
she loves you
(and you know that can't be bad)
música múndica
som de rádio de pilha
rasgando a noite metálico
mal sintonizado
no lago de fígado
lua branca em céu poluído
mundo insolúvel
de Raimundo
mundo dividido
desideologizado
globalmente esgotado
internacionalizado mundo
faminto empobrecido
sujo mundo de gente porca
em algum lugar
na noite do mundo, um bar
lâmpadas fluorescentes
copos com espumas
que traçam texturas de lua
Ogum na espuma do copo
cerveja de Ogum
churrasco de costela
assado em tonel na calçada
um gole pro santo na noite no mundo
lua no céu
cavalo dragão cavaleiro de lança
no princípio era o Verbo,
e o Verbo foi mundo
Yê, yeah!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

...e foi a primeira "Quarta tem Sarau no Quarto" de 2012


Ontem, eu e a Daniela Damaris realizamos o primeiro "Quarta tem Sarau no Quarto" deste ano. Uma edição especial marcando a semana de abertura da exposição de Botero "Dores da Colômbia" voltada exclusivamente à poesia da Colômbia.

Logo que começamos a pesquisa de nomes, destacou-se o de Jaime Jaramillo Escobar, que tem uma poesia forte, irônica e de profundo conteúdo social. Ele é uma importante voz viva da Colômbia, um dos mais destacados representantes do "Nadaísmo" escola que trouxe para a Colômbia as influências estéticas do Dadaísmo, do Surrealismo e dos Beats. Traduzi este poema dele:


Poeta com um revólver
Jaime Jaramillo Escobar
(tradução Renato de Mattos Motta)


Certamente eu não queria ver-te como inimigo, apesar de tudo,
e até gostaria de compartilhar tuas festas brutais e tua perigosa sexualidade,
pois sim bem sei que teu passado é a história de tua
ignorância e tua ignomínia,
tive um amigo que , depois de haver matado a três companheiros me apreciava porque o perdoei.
Entretanto não posso crer em ti quando vens comer em minha mão como um cavalo,
nem quando chegas tua cabeça ao meu peito para aquecer-te enquanto conservas um punhal no bolso,
porque nas casas dos camponeses, assassinaste até os animais, coisa que não consigo compreender;
e me dá dó, irmão, não poder nem sequer tocar-te, pois não nego que és belo.
Por que madrugas a dizer-me todas as manhãs: "me matas ou te mato, mas hoje tem que morrer um dos dois" ?
Não discuto tuas teorias sobre o valor
mas há vezes que meu revólver pesa na cintura mais que uma bala na cabeça,
ainda que saiba que um beijo teu na testa é igualmente pesado e perigoso.

Enroscado na espada do anjo vingador fazes sempre justiça contra os demais,
e nada teme Deus mais que teus olhares.
Tua maldade contradiz tua pequenez
pois o mesmo cravas a ele da cruz que a mim,
ou matas a tiros ao menino negro Emmett Till de quatorze anos em 28 de agosto de 1955
por haver se atrevido a olhar na rua a uma menina branca antes que a Morte a pintasse de negro,
pois tua estupidez não tem limites, o que confirma, em verdade, tua grandeza,
oh Soberano construtor de estrelas durante o dia e bêbado na noite!

Tua presença em lugares obscuros é sempre espiã
e à meia-noite é preferível encontrar-se com Deus do que contigo.

Isto é o que não queria dizer de ti, mas o certo é que só contra ti se exerce vigilância,
todos os cuidados dos homens são para proteger-se de ti, e nada mais espantoso que a ressurreição dos mortos

Tua profissão de incendiário e assassino te enche de orgulho e tens uma estrita contabilidade de tuas vítimas
em livros que teus filhos são obrigados a aprender de cor.

Os séculos passaram inutilmente sobre ti sem que tenhas podido dominar teu instinto de morte e mal
e por isso Lúcifer te reclama. Assim seja! Sei que isso te envaidece,
filho de Eva e a serpente!

Já não se distingue o puro do impuro, todas as coisas se confundiram e não há resgate possível.
Só quando toda a religião tiver desaparecido poderá vir o salvador
pois enquanto um de nossos membros está atado
todo o corpo permanece atado a ele
e com tua mão cortada estás saudando a Morte.

O sacrifício do selvagem é mais puro quanto menos adornado e tecnificado aparece pelos adiantamentos da cultura.
Eis aqui a fórmula para aliviar a pena dos condenados à morte:
Que todo o conhecimento os despoje e se entreguem selvagemmente como um Tezcatlipoca
já que só o júbilo pode triunfar sobre a Morte.
Buscando a Morte perderás o meso pois sua foice imantada
atrai todo o misterioso que há em ti.

Mas duas coisas se contrapõem: a sociedade que te condena
e a liberdade que implica a ignorância, ou seja a sabedoria em sua mais pura manifestação
e por isso se diz na literatura "livre como um pássaro" , pois só a um ser irracional é dado voar por si mesmo, especialmente por ser "por si mesmo"
enquanto que tu, com tuas pretensões de que eu sou teu próximo
me consideras como tua propriedade, o que dá origem a essa luta interminável
dentro da qual somos inimigos por irmandade,
tanto que em vez de gastar o tempo meditando sobre ti deveria estar limpando meu revólver.

Os dois semideuses, o russo e o americano, fariam bem estourar suas bombas megatônicas em teus narizes
e que a Terra continuasse girando no espaço
desocupada como uma caveira
para testemunhar aos séculos quão grande era o mais pequeno dos filhos de Deus.








Quando o sarau já estava quase definido, chega às minhas mãos um pedido de apoio a uma jovem poeta colombiana que vem sendo acusada de crimes que não cometeu: "incitação à revolta" e "Tráfico de Drogas". A "democracia" colombiana tem 7.500 presos políticos, sendo 90% de civis e apenas 10% de membros das FARC Além de 61.604 desaparecidos... mais vítimas que as ditaduras do Chile e da Argentina...
Claro que isso mudou muita coisa... A abertura do sarau foram poesias da moça que se chama Angye Gaona Traduzi um dos poemas dela, que apresento em espanhol primeiro, depois em português:



Cañón adentro
(Angye Gaona)

De Nacimiento volátil

Sigo el camino del esternón,
busco el origen de la sed,
voy al fondo de un cañón de paredes plateadas,
sólidas merced al tiempo,
movedizas cuando el aluvión,
cuando la infancia, era glacial.

Colecto las raicillas del pensamiento.
Las cargo a mi espalda erosionada
junto al agreste olvido que cae de mí.

Se asoman,
desde pequeñas cuevas,
los indicios del dolor;
veloces burlan las miradas
y vuelven a ocultarse en la piel del cañón.

Inscritas en las paredes,
las coordenadas indescifrables
del rayo prehistórico
que formó mi faz.
Tiempo de la hondura,
tiempo sin sílaba,
cuando soy sólo un sonido
en tránsito a la fatiga.

Busco un manantial
que bañe la pregunta adherida a mi historia.
Busco la vida recién nacida
y hallo la sed.

Sigo la senda del esternón.


Perau adentro
(Angye Gaona
tradução: Renato de Mattos Motta)

De Nascimento volátil

Sigo o caminho do osso do peito,
busco a origem da sede,
vou ao fundo de um perau de paredes prateadas,
sólidas mercê ao tempo.
movediças quando aluvião,
quando a infância era glacial.

Coleto as radículas do pensamento.
As carrego na espalda erodida
junto ao agreste olvido que cai de mim.

Se assomam,
desde pequenas covas,
os indícios da dor
velozes burlam as visões
e voltam a ocultar-se na pele do perau.

Inscritas nas paredes,
as coordenadas indecifráveis
do raio pré-histórico
que formou minha face.
Tempo da fundura,
tempo sem sílaba,
quando sou só um som
em trânsito à fadiga

Busco um manancial
que banhe a pergunta aderida à minha história.
busco a vida recém nascida
e acho a sede.

Sigo a senda do osso do peito.

sábado, 10 de dezembro de 2011