Follow by Email

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Relações Textuais

Textos
contradizem textos,
saem de si,
detestam-se.

Textos
falam de
textos
enfocam
fofocam

Um texto
toca outro
texto
contempla
complementa.

Textos
se tocam
se trocam
sentidos

Textos
se testam
se penetram
se fundem

Textos
sem pretextos
procriam

contextos.


Porto Alegre, 23 de maio de 2008

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O porto que era


Esta foto foi tirada num daqueles dias luminosos de inverno que os meteorólogos insistem em descrever com nebulosidade em algum momento mágico da década de 80, quando o cais ainda era Porto (Alegre continua sendo),

alegrias de primavera

Meu Porto,
Alegre porque tem um rio.

Meu Porto,
Alegre porque tem parques.

Meu Porto,
Alegre porque tem pássaros.

Tristeza aqui é só um bairro -
florido que é uma beleza!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Guerra e Paz

Pra quem não sabe, este é um detalhe do Monumento ao Expedicionário, belíssimo arco do triunfo esculpido por Antônio Caringi e localizado na Redenção, que as autoridades insistem em chamar de Parque Farroupilha. O João-de-barro está com a casa bem protegida!

Urbano III

eu,
poeta urbano,
escrevo com concreto,
plástico, asfalto,
com gasolina, álcool,
gás, diesel
e com monóxido de carbono.

penso na técnica, ouço o ritmo:
britadeiras,
motores,
buzinas engarrafadas,
rimas pobres nos pregões das feiras,
bate-estacas,
boates de lata transitam noturnas,
carroceiros lutam pelo lixo,
cascos e chicotes catraqueando asfalto.

procuro cores,
produzo imagens:
preto-asfalto,
preto-fuligem,
cinza-ar,
cinza-edifício,
cinza-calçada,
marrom-escapamento,
marrom-sarjeta,
boca de lobo entupida.
vermelho-boca-de-puta,
(preocupante
quando pinta faces pueris)
vermelho-sangue-seringa,
vermelho-sangue-assalto,
vermelho-sinal-fechado.

fazer poesia não é fácil!
porque é preciso olhar
com o olhar que desnuda,
que vê verdade e vergonha,
pedintes profissionais
postados na porta dos supermercados,
mães de filhos alugados;
o olhar preciso
que vê
a cola no colo da criança,
que vê a infância
atropelada pela vida.
é preciso olhar
com olhar que vê
a cidade acontecer
e a desvenda em palavras.
palavras que viram pedras,
que ferem ,
que acusam,
mas que também podem cantar
como pássaro
que insiste no vôo
mesmo em meio
à névoa negra
dos escapamentos.

Porto Alegre, 2/08/2008. _______________________________________________________
Este poema começou a ser escrito em 28/07/2008como um comentário ao texto Com o pé no estribo ou A educação pela pedra de José Carlos Brandão no Overmundo: http://www.overmundo.com.br/banco/com-o-pe-no-estribo-ou-a-educacao-pela-pedra e recebeu alguns importantes palpites da Bea CD

domingo, 20 de julho de 2008

Um Convidado Ilustre: Luís Vaz de Camões


Perdigão Perdeu a Pena



Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.

Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.



Quis voar a uma alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.



Coitado! que em um tempo choro e rio


Coitado! que em um tempo choro e rio
Espero e temo, quero e aborreço;
Juntamente me alegro e entristeço;
Duma cousa confio e desconfio.


Voo sem asas; estou cego e guio;
E no que valho mais menos mereço.
Calo e dou vozes, falo e emudeço,
Nada me contradiz, e eu aporfio.


Queria, se ser pudesse, o impossível;
Queria poder mudar-me e estar quedo;
Usar de liberdade e estar cativo;


Queria que visto fosse e invisível;
Queira desenredar-me e mais me enredo:
Tais os extremos em que triste vivo!


.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

XEQUE




Quando a vida
ia me dar um xeque-mate,
a gata pulou sobre o tabuleiro!
Fez a maior bagunça!
Saiu pela casa
com o rei adversário
transformado em joguete
entre suas patas.
Foi aí que me dei conta
que a vida
é um cheque em branco.

Porto Alegre, julho de 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Pura na Alma


Não precisa de mistura
Só poesia pura
E aquele aperto no peito
Já, já se cura.

Um, Uma, Dois


Um rapaz solitário caminha cabisbaixo.
Uma moça solitária caminha cabisbaixa.
Dois no chão!
Dois juntos caminham. Agora animados.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

haicai (haicat ) de bigodes

Esse haicai nasceu de uma brincadeira com a Mara Faturi que é haicaizeira de primeira e também gateira. No fim, achei que ficou legal, então posto aqui.





Quarto gelado
a pilha de roupas respira
o gato usa cueca no pescoço

.

terça-feira, 27 de maio de 2008

DO AMOR



Do amor há muitas lógicas possíveis
da estética à filosófica,
da mercadológica
(que dizem ser a mais antiga)
à química das farmacológicas pílulas celestes.

Tantas visões!
Quanta expectativa!
Inumeráveis fantasias!

Quanto a mim,
do amor nada observo
a não ser - diretamente - o objeto.

Nada espero, a não ser,
talvez,
a suprema graça de ser correspondido
Renato de Mattos Motta
Porto Alegre, fevereiro de 2008

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Um convidado Ilustre: João Cabral de Melo Neto

O ovo de galinha

João Cabral de Melo Neto






I


Ao olho mostra a integridade
de uma coisa num bloco, um ovo.
Numa só matéria, unitária,
maciçamente ovo, num todo.


Sem possuir um dentro e um fora,
tal como as pedras, sem miolo:
é só miolo: o dentro e o fora
integralmente no contorno.


No entanto, se ao olho se mostra
unânime em si mesmo, um ovo,
a mão que o sopesa descobre
que nele há algo suspeitoso:


que seu peso não é o das pedras,
inanimado, frio, goro;
que o seu é um peso morno, túmido,
um peso que é vivo e não morto.


II


O ovo revela o acabamento
a toda mão que o acaricia,
daquelas coisas torneadas
num trabalho de toda a vida.


E que se encontra também noutras
que entretanto mão não fabrica:
nos corais, nos seixos rolados
e em tantas coisas esculpidas


cujas formas simples são obra
de mil inacabáveis lixas
usadas por mãos escultoras
escondidas na água, na brisa.


No entretanto, o ovo, e apesar
de pura forma concluída,
não se situa no final:
está no ponto de partida.


III


A presença de qualquer ovo,
até se a mão não lhe faz nada,
possui o dom de provocar
certa reserva em qualquer sala.


O que é difícil de entender
se se pensa na forma clara
que tem um ovo, e na franqueza
de sua parede caiada.


A reserva que um ovo inspira
é de espécie bastante rara:
é a que se sente ante um revólver
e não se sente ante uma bala.


É a que se sente ante essas coisas
que conservando outras guardadas
ameaçam mais com disparar
do que com a coisa que disparam.


IV


Na manipulação de um ovo
um ritual sempre se observa:
há um jeito recolhido e meio
religioso em quem o leva.


Se pode pretender que o jeito
de quem qualquer ovo carrega
vem da atenção normal de quem
conduz uma coisa repleta.


O ovo porém está fechado
em sua arquitetura hermética
e quem o carrega, sabendo-o,
prossegue na atitude regra:


procede ainda da maneira
entre medrosa e circunspeta,
quase beata, de quem tem
nas mãos a chama de uma vela.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

poema frio


Inverno
inaugurou hoje
não no calendário,
que lá inda é outono,
mas no ano
no dia
na pele.

Inverno
invadiu o ar
que chora
uma chuva
molhada
chuva de inverno
molha até os papéis
(os que estão
nas gavetas)

Inverno
chove triste
molha a roupa
molha o corpo
molha os ossos
chora o dia
até virar noite

Inverno
encharca
as calçadas,
emboscado
embaixo das lajes,
alagando frieiras,
penetrando por
insuspeitos
buracos no sapato.

Inverno
triste e cinzento
como o dia
como a cidade
como o mofo
das paredes
e da alma
das pessoas

Se o inferno
fosse frio,

seria inverno

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Tempoemeira remando na blogsfera!


TEMPOEMEIRA

Para Juliana Meira

O tempo, ema,
Corre corre corre
Menos no teu poema
Onde transcorre
Como tarde espreguiçosa
No lombo dum gato

Tempo – tempo – tempo
Que incendeia o dia-a-dia
Menos no teu poema
Onde é lua cheia
Na geada fria

O tempo é fera
Voraz devorando filhos
Menos no teu poema
Onde é panda pateta
Cirandando como poeta

Nosso tempo tem
Poemas
Poemas com próprio
Tempo
E tem uma Poemeira
Que tece teias na poeira do tempo

Juliana Meira mostra sua produção no blog TEMPOEMA
http://juliana-meira.blogspot.com , que publicou este poema em primeira mão. Conheci seu trabalho no Blog do Alexandre Brito e fiquei impressionado com a qualidade dos poemas. Tão impressionado que de repente me peguei num diálogo poético com a moça.

sábado, 19 de abril de 2008

Um convidado Ilustre: Antônio Machado

O terceiro e o quarto verso dessa poesia são daquelas citações que todo mundo faz, mas poucos conhecem a fonte.
Tenho uma vizinha que gosta muito de poesia, mas não entende espanhol. Para ela traduzi este poema e posto a tradução depois do original para quem precisa de tradução.
Fiz esta tradução o melhor que pude, mas sempre vejo um problema em traduzir um texto desta língua para o Português: embora sejam línguas muito semelhantes, têm musicalidades diferentes. Portanto, recomendo antes a leitura do texto original. Por que, para este texto, a sonoridade do espanhol funciona muito melhor...



Caminante, no hay camino
Autor: Antonio Machado


Caminante son tus huellas
El camino nada más;
caminante no hay camino
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino
sino estelas sobre el mar.
¿Para que llamar caminos
A los surcos del azar...?
Todo el que camina anda,
Como Jesús sobre el mar.

Yo amo a Jesús que nos dijo:
Cielo y tierra pasarán
Cuando cielo y tierra pasen
mi palabra quedará.
¿Cuál fue Jesús tu palabra?
¿Amor?, ¿perdón?, ¿caridad?
Todas tus palabras fueron
una palabra: Velad.
Como no sabéis la hora
En que os han de despertar,
Os despertarán dormidos
si no veláis; despertad.





Caminhante, não há caminho
Autor: Antonio Machado

(tradução de Renato de Mattos Motta)

Caminhante tuas pegadas
São caminho, nada mais
Caminhante não há caminho
Se faz caminho ao andar
Ao andar se faz caminho
E ao voltar a vista atrás
Se vê a estrada que nunca
Se vai voltar a pisar
Caminhante não há caminho
Só estrelas sobre o mar.
Para que chamar caminhos
Aos sulcos do azar?
Todo o que caminha anda
Como Jesus sobre o mar

Eu amo a Jesus que nos disse
“Céu e terra passarão
Quando céu e terra passarem
Minha palavra ficará.”
Qual foi Jesus tua palavra?
Amor? Perdão? Caridade?
Todas tuas palavras foram
Uma palavra: Velai.
Como não sabeis a hora
Em que vos vão despertar
Despertar-vos-ão do sono
Se não velais; despertai.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

um amor de gato



Gosto de gatos porque são absolutamente sinceros e confiáveis. Eles não mentem. Apenas não são muito chegados a explicações.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Coisas das musas - A Flor e o Asfalto

Poeta que se preza é servo das musas.

E não tô falando (apenas) daquelas beldades com pouca ou nenhuma roupa que a mídia periódicamente elege: Musa disto ou daquilo. Do carnaval, do verão, da cerveja...

Não.

Falo das nove.

Das nove filhas de nove noites de amor entre Zeus e Mnemósine... coisa antiga...

Pois as musas me pegaram hoje, durante o sono, e me arrastaram prum diálogo com o Carlos que eu já tinha citado há uns dias por aqui. E me obrigaram a me apropriar dumas idéias drummondianas...

Acordei com isto na cabeça e não sosseguei enquanto não escrevi. Escrevi e tentei esquecer e dar um tempo de gaveta (embora hoje minha gaveta sejam os clusters do HD) - pensar antes de postar... não deu!

Se ninguém gostar, paciência! A culpa não é minha. Foram as Nove que me obrigaram a postar. Eu sou apenas um humilde servo...




A FLOR E O ASFALTO



Preso ainda às convenções
Visto preto, cor do meu tempo
Mas a rua, seu Carlos,
Continua cinzenta
Tudo ainda está à venda
E arma alguma autorizaria revolta

Este é o tempo da justiça, afinal,
Não a justiça bondosa –
De bronze, de prata, de ouro –
Justiça da ira divina
Do fogo descontrolado
Que mata a nossa mata
De terra que sacode escombros
Como quem dá de ombros
De um ar sujo e furioso
Desembestado em tempestades
De águas que retornam
Sujas e podres como o mundo
Como o nosso mundo
Águas que inundam
Águas que lavam
Águas que levam tudo por diante
Águas que afogam velhos, crianças, bombeiros
Mais fortes que a força
Justiça de Gaia febril
Infectada de humanidade.

Mas mesmo em um mundo revolto
Ainda há tardes amenas
Caminho pelo meu Porto
Alegre ao menos no nome
Seduções em calças justas
Encurvam meu pescoço
O ar está luminoso
Embora a fumaça dos carros
Pardais pipilam,
Mas não param
De catar comida no lixo,
Da janela do edifício,
Um gato observa os pardais
Frustrado pelo vidro fechado.
Ao meu lado, um som
Não é alto, mas diferente
Não o crepitar de folhas secas
Nem papel desfraldado ao vento
É som mais pesado, embora leve
Ao meu lado, um som bate no chão
É leve, mas tem o peso
De uma vida, que se vai

Uma flor morreu na rua!
Não era forte como aquela do Carlos
Embora fosse mais bela
Bateu no chão preto e ficou
Vermelha, marcando sangue
Uma flor solta no asfalto
Uma flor morta no asfalto
Uma flor!

Pés
Pneus,
Vento,
Chuva,
Garis com suas vassouras
Se encarregarão de levá-la
Mas ela ficará
Na minha lembrança
(E na foto mortuária que tirei)
Longe,
Lá no pólo,
Uma geleira se desfaz
Chorando a flor que se foi
Ou, talvez, chore por outras,
As flores que nunca foram.


Renato de Mattos Motta


Porto Alegre, 14 de abril de 2007

domingo, 13 de abril de 2008

Post-Poema 3 - Lixo


Esta é uma daquelas sincronias que acontecem e a gente custa a se dar conta...

fiz primeiro o poema. A foto saiu no máximo um mês depois e é registro de uma cena real. A foto do bebê estava realmente jogada na calçada sobre uma tampa de bueiro.

Levou meses pra eu perceber que a foto e o texto pertenciam-se mutuamente.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Um convidado ilustre: Drummond

Pra este blog não virar uma egotrip total decidi que, de vez em quando, vou trazer uns convidados ilustres, como este "seu Carlos" de hoje que os portoalegrenses se acostumaram a ver dia e noite conversando com o Quintana ali na Praça da Alfândega.



RECEITUÁRIO SORTIDO

in DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. "Discurso de Primavera e Algumas Sombras"

Calma.
É preciso ter calma no Brasil
calmina
calmarian
calmogen
calmovita.

Que negócio é esse de ansiedade?
Não quero ver ninguém ansioso.
O cordão dos ansiosos enfrentemos:
ansipan!
Ansiotex!
ansiex ansiax ansiolax,
ansiopax, amigos!

Serenidade, amor, serenidade.
Dissolve-se a seresta no sereno?
Fecha os olhos: serenium,
serenex...

Dói muito o teu dodói de alma?
Em seda e sedativo te protejas.
Sedax, meu coração,
sedolin
sedotex
sedomepril.
Meu bem, relaxe por favor.
Relaxan
Relaxatil.
Batem, batem à porta? Relax-pan.

Estás tenso, meu velho?
Tenso de alta tensão, intensa, túrbida?
Atenção: tensoben
tensocren
tensocrin
tensik
tensoplisin.

Anda, cai no sono,
amigo, olha o sonix.
Como soa o sonil
sonipan sonotal
sonoasil
sonobel sonopax!

E fique aí tranqüilo tranquilinho
bem tranquil
tranquilid
tranquilase
tranquilan
tranquilin
tranquix tranquiex
tranquimax
tranquisan
e mesmo tranxilene!

Estás píssico, talvez
de tanto desencucarem tua cuca?
Estás perplexo?
Não ouves o pipilar: psicoplex?
psicodin
psiquim
psicobiome
psicolatil?
Não sentes adejar: psicopax?

Então morre, amizade. Morre presto,
morre já, morre urgente,
antes que em drágea cápsula ampola flaconete
proves letalex
mortalin
obituaran
homicidil
thanatex thanatil
thanatipum!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

post-poema 2 - Redenção


De longe o meu recanto preferido de Porto Alegre:
Segundo as autoridades é o Parque Farroupilha.
Pro povo, antes mesmo de ser parque, é a Redenção.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

do Pau de Poemas

Pau de Poemas foi um álbum de seis gravuras com cinco poemas que lancei em 1987. Ano passado, a pedido do Mário Pirata, lancei a segunda edição, colorizada no computador, com impressão a laser em papel couchê fosco 300g. O formato é aproximadamente 42cm de altura por 15cm de largura




quarta-feira, 2 de abril de 2008

...e por falar em sabiá...


Mexendo nos meus alfarrábios encontrei um texto antiguinho que tem tudo a ver, mesmo que ninguém mais use máquinas de escrever (a não ser o Mino Carta!):

No trabalho...
Adentra a sala fera em fúria falando a fala do trovão.
- Precisamos aumentar a produção!
O escritório precipita-se na azáfama. Eleva-se rugido das diversas máquinas datilografando em uníssono.
De repente, o silêncio.
Um sábiá pousou no parapeito, inflou o peito alaranjado e cantou. cantou!
Pessoas pararam para ouvir. O escritório, a empresa, a cidade... tudo parou para escutar a natureza falar sem palavras...
- Precisamos aumentar a emoção!

Porto Alegre, 28/10/1986 (eu avisei que era antigo!)


segunda-feira, 31 de março de 2008


Numa das reuniões de copo lá (não confundir com reuniões de cúpula) no Café da Manhã Mário Pirata mostra que achou o gancho poético do Porto Alegre Dá Poesia.

E Porto Alegre DEU POESIA!


De 24 a 29 de março, Porto Alegre respirou poesia! No próprio coração da cidade, no Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo, na Rua da Praia aconteceu e evento Porto Alegre Dá Poesia, organizado pelo povo do Portopoesia. Ainda estou digerindo o muito que se discutiu, que se ouviu, o prazer de conhecer pessoalmente ou rever alguns dos poetas de Porto Alegre de praticamente todas as gerações, desde alguns recém saídos da adolescência até aqueles com vasta obra publicada.


Aqui o poeta Jaime Medeiros Jr desfruta o prazer de ter seus poemas lidos por Mário Pirata. Jaime está de parabéns! Seu livro ainda não saiu e já rendeu uma bela polêmica na discussão que se seguiu. Eu gostei muito do que ouvi.





.




bibliófilos e baratas de biblioteca disputam o prazer de devorar obras raras.


Consegui aprender a postar imagens!
Esta imagem foi minha resposta a uma convocatória de arte postal com o tema "a magia da leitura". A base é um fragmento de uma letra capitular da "magna carta" e uma xilogravura minha que colorizei no corel draw, que também usei para fazer a montagem e colocar o texto.

domingo, 30 de março de 2008

A idéia deste Blog é mostrar um pouco de minha produção. Por enquanto, como blogueiro, sou um principiante. Não consegui ainda sequer postar uma figura de tamanho apresentável... mas com o tempo vou aprendendo a melhorar!